sábado , 22 de setembro de 2018
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Foto: Divulgação
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20ª edição do FICA: O destaque foi a temática indígena

O destaque no primeiro dia da 20ª edição do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Fica), na cidade de Goiás (GO), foi a temática indígena. O Ex-Pagé, longa do cineasta Luiz Bolognesi, abriu a Mostra de Cinema do Fica, na noite de ontem (5), e colocou os indígenas no centro de uma discussão sobre sustentabilidade e religiosidade.

Para o diretor, os grandes ambientalistas do Brasil são os povos nativos. “A gente esquece que tinham entre 20 e 40 milhões de pessoas vivendo aqui quando os europeus chegaram. E essa gente toda precisava comer e viver, e viviam com uma qualidade de vida interessante. Eles tinham fartura, e seu modelo econômico era um modelo altamente ecológico, que é a agrofloresta”, disse Bolognesi à Agência Brasil.

Assim, o Fica trouxe para o centro da discussão a reflexão sobre a importância do conhecimento indígenas para o pensamento ambiental, de como conseguir produzir alimentos preservando a biodiversidade genética de um bioma. “As árvores de araucárias foram eles que plantaram. Das matas de açaí, eram eles que disseminavam as sementes. Até a Mata Atlântica foi muito modificada pelos tupis-guaranis que plantavam tudo o que eles precisavam para comer”, exemplificou.

Bolognesi vislumbra que nas próximas décadas haverá um movimento de troca de saberes e de valorização dos conhecimentos tradicionais. Segundo o diretor, já existem, inclusive, projetos de universidade indígenas, para que os “brancos” aprendam os saberes indígenas. “E tem coisas que a gente sabe que são úteis para eles. Eles usam muito a tecnologia, têm trocas interessantes para se fazer”.

O filme acompanha a história do Pajé Perpera Suruí em meio à crescente evangelização dos indígenas de seu povo. O diretor conta que o pajé só conseguiu se relacionar novamente com a comunidade depois de aceitar participar das atividades da igreja evangélica. É um filme de resistência, segundo o diretor, que retrata o processo de aculturação dos indígenas no Brasil e as contradições entre a transformação e a resistência da cultura e dos conhecimentos ancestrais.

O longa já ganhou dois prêmios, no Festival de Berlim e no Festival Internacional de Documentários. Hoje (6), Bolognesi viaja para a Inglaterra, onde o filme compete na mostra ambiental do Sheffield Doc Fest, um dos maiores festivais de documentários do mundo. Para Bolognesi, as culturas indígenas estão sob um “segundo ataque”. O primeiro foi com a chegada dos portugueses e do catolicismo. “Quando parecia que tínhamos superado esse momento, desde as décadas de 1970 e 80, há uma incursão de igrejas evangélicas”, disse.

O Fica é promovido pela Secretaria de Educação, Cultura e Esporte do governo de Goiás.

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