domingo , 18 de novembro de 2018
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Foto: Agência Brasil
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Congresso no Rio propõe redução no número de cesáreas no país; confira

A necessidade de reduzir as elevadas taxas de cesáreas é um dos temas em debate no 32º Congresso Mundial da Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO), aberto no Rio de Janeiro. No Brasil, esses números não são novidade, disse à Agência Brasil o diretor da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), Corintio Mariani Neto.

O diretor alertou, porém, que embora as taxas venham se mantendo estáveis nos últimos anos, ainda são muito altas no Brasil. Países como a Holanda, por exemplo, apresentam taxa média inferior a 15%, informou. Na Europa, a taxa alcança 25% e nos Estados Unidos, 32,8%. A Febrasgo vai aproveitar a realização do congresso da FIGO, que se estenderá até o próximo dia 19, para divulgar campanha permanente da entidade sobre o tema. A Febrasgo quer que sejam adotadas no país condutas para reduzir a quantidade de cesáreas, com a adoção de equipes multiprofissionais que incluam a enfermeira obstétrica e a obstetriz.

Cultura

Segundo Mariani Neto, alguns fatores contribuem para a alta taxa de cesáreas no país. A primeira é o desejo da paciente. “Ela querer o parto cesárea.” Outro ponto é que as mulheres estão engravidando pela primeira vez tardiamente, o que aumenta a chance de surgir indicação de cesariana.

De acordo com o médico, o obstetra que faz o pré-natal no Brasil fica disponível para a paciente 24 horas por dia até o momento do parto. “A cultura de assistência integral torna incompatível para um obstetra que faz dez partos por mês manter um consultório de grande movimento”, afirmou.

“Nós não temos ainda discriminada a cultura da equipe multiprofissional, que que existe no resto do mundo. Estamos tentando aqui a inserção da enfermeira obstétrica, da obstetriz, para acompanhar o trabalho de parto quando não há intercorrência, o que diminuiria a necessidade de o médico obstetra estar presente durante todo o trabalho de parto”.

Ele comentou que o aprendizado hoje já não é o mesmo de décadas atrás. Por isso, muitos obstetras têm mais habilidade de conduzir uma cesariana do que acompanhar o parto normal “São vários fatores que levam ao aumento dos partos cesáreos. Não há uma causa única”.

Equilíbrio

A maior segurança, visando o bem-estar da mãe e, principalmente, da criança, pode ter ampliado as indicações para as cesarianas, em vez de ficar insistindo no parto por via vaginal a qualquer custo. “Porque isso também é muito ruim”, admitiu Mariani. Para ele, é preciso que haja um equilíbrio. “Precisamos continuar batalhando para que alguma coisa a mais seja feita para que não haja tantas cesarianas no Brasil, principalmente na medicina de grupo e na medicina privada. Nos hospitais públicos, esse problema não é tão sério”.

Em relação à remuneração dos médicos obstetras, o diretor da Febrasgo afirmou que é muito parecida no parto normal e no parto cesáreo. Advertiu ainda que muitas cesarianas são mal indicadas. Elas são agendadas antes de a mulher entrar em trabalho de parto, o que faz aumentar a quantidade de bebês que vão nascer prematuros.

O correto, segundo Mariani, é tanto a gestante como o obstetra terem consciência de que, a princípio, se tudo estiver normal, a lógica é aguardar que a mãe entre em trabalho de parto e que esse parto seja normal. “Quanto menos interferência de um lado e de outro, maior a chance de ter um parto normal”.

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