quarta-feira , 15 de agosto de 2018
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E Viveram felizes para sempre… Parte II

Divulgação: Google
Foto divulgação: Google

Quem nasceu nos anos 70 e 80, vai se lembrar da música da história da Dona Baratinha da escritora brasileira Ana Clara Machado: “Quem quer casar com Dona Baratinha, que tem fita no cabelo, é bonitinha e tem dinheiro na caixinha” ! Pois é, como está Dona Baratinha hoje? Quando ela soube que Dom Ratão se afogou na feijoada, desistiu de casar e ficou com todo o seu dinheirinho…

Será que ela viveu feliz para sempre?

Vamos dar sequência a entrevista com a Terapeuta Junguiana Iris Sinotti no artigo “E viveram felizes para sempre” escrito para a Revista Inglesa Fraternity Spiritist Society sob a forma de perguntas e respostas:

Nossa separação foi amigável, conversamos muito, decidimos que seria o melhor para nós dois, mas não teve jeito: foi um sofrimento. Por que isso acontece Íris?

Um ponto que não podemos esquecer é que a separação marca o fim de um vínculo profundo, e principalmente de laços emocionais e afetivos que muitas vezes não são só formados pelo amor, mais também pelos traumas e carências de ambos. Quanto mais tempo essa decisão foi adiada, mais desoladora será a separação podendo no final gerar muito sofrimento, incompreensões e ofensas.

Após a decisão da separação, pessoas próximas sempre dizem que fui precipitada.Casamento é para sempre?

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É sempre importante lembrar que o casamento não significa uma amarra que ambos os cônjuges devem manter-se atados, como nos lembra, Joanna de Ângelis ( Livro Amor Imbatível Amor): “É claro que o casamento não impõe um compromisso irreversível, o que seria terrivelmente perturbador e imoral, em razão de todos os desafios que apresenta, os quais deixam muitas sequelas, quando não necessariamente diluídos pela compreensão e pela afetividade”. O vínculo firmado pelo casamento é depois do parental o mais profundo na vida da pessoa, quando rompido exige um grande trabalho interior para recuperar o equilíbrio emotivo e quando não se tem sucesso, transfere-se para o antigo cônjuge todo um arsenal de questões não resolvidas tornando esse momento ainda mais difícil.

Fico magoada quando lembro dos erros do meu marido durante nosso casamento, fiz de tudo para ser uma boa esposa, deixei até de trabalhar e de fazer a faculdade dos meus sonhos…

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Muitas vezes perde-se um longo tempo de refazimento tentando encontrar o culpado pelo ocorrido. Mas, como pode existir apenas um culpado quando estamos falando da relação de dois? É muito importante lembrar que tudo o que ocorreu no casamento teve um autor e um cúmplice o que imediatamente nos leva a uma conclusão obvia: estávamos juntos no momento do sim e também no momento do não.

Talvez, a culpa que mais tortura as pessoas seja aquela voltada para si mesmo, aquela que aparece justamente quando uma das partes percebe que deixou que muitas situações passassem do tempo de serem resolvidas, que muitas palavras que deveriam ser faladas fossem engolidas e que muitos “nãos” que deveriam ser ditos fossem esquecidos. Para a maioria das pessoas esse momento trás uma insuportável sensação de ter desperdiçado tempo de ter deixado passar a própria vida.

Quando não se encontra maduro o suficiente para lidar com tamanha frustração é possível que um dos ex-cônjuges deixe-se levar pelo rancor, considerando o outro como responsável por tudo o que deixou de realizar na vida.

Mas, deixa isso para lá, vou virar a página, este assunto da separação está morto, encerrado, não quero mais falar sobre isso!

Será que falamos pouco sobre esse assunto porque guardamos no nosso íntimo a crença de que o fracasso do casamento significa o fracasso de uma vida inteira? O término de uma relação é o término de uma relação. E por mais doloroso, esse término assim como a própria relação não definem as partes envolvidas, se as vidas despedaçaram-se junto com a relação, algo estava realmente muito errado e precisava de medidas urgentes.

É… pensando melhor, Íris, eu permiti muita coisa no meu casamento para fugir de algumas responsabilidades. E agora, o que faço?

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Esse é o momento onde a relação consigo mesmo deve prevalecer, buscar em si mesmo na própria história as respostas que desesperadamente se espera encontrar fora, reconhecer que projetou no cônjuge toda uma sobrecarga de carências, temores e exigências infantis que há muito foram negligenciadas, não só liberta do passado como também ajuda a resignificar o motivo do casamento, abrindo novas perspectivas para ambos.

Que não esqueçamos que o casamento que tanto buscamos precisa acontecer primeiro dentro de cada um de nós. Ter uma relação plena, profunda e madura com outra pessoa exige que se tenha a mesma relação consigo mesmo, afinal, “O desafio do relacionamento é um gigantesco convite ao amor, a fim de alcançar a plenitude existencial ( Joanna de Angelis – Amor Imbatível Amor)”

Que não percamos a esperança de que se é possível viver uma relação plena, saudável, madura e amorosa, mais que também saibamos que caso a separação seja necessária, esse pode ser o encerramento de um capítulo para a possibilidade de se escrever uma nova história.

“Não é na maneira como uma alma se aproxima da outra, mas na maneira como se afasta, que reconheço seu parentesco e afinidade com a outra”. F. Nietzsche

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Então, depois de tudo que a gente leu aqui, eu te pergunto: Como está a Dona Baratinha? Depois de um tempo casada com ela mesma, como seria a sua história nos dias atuais? Conte para a gente! Vou dar uma dica de como começar: “ Era uma vez…” e não se esqueça de colocar no final “ E Viveram Felizes para Sempre…”. A autora ou autor da melhor história vai ganhar um belo troféu: Uma vida mais plena e mais feliz!

Não leu a primeira parte da Entrevista? Clique aqui: http://mbqnews.com.br/sera-possivel-casar-e-viver-feliz-para-sempre/

irissinotiIrís Sinoti é casada com Cláudio Sinoti, ambos são Terapeutas Junguianos. Íris é  Coordenadora do Núcleo de Estudos Psicológicos Joanna de Ângelis na Mansão do Caminho, Co-autora dos Livros Refletindo a Alma e Espelho da Alma e Em busca da Iluminação Interior,  Palestrante e uma mulher dedicada a causa que abraça: promover o auto-conhecimento através do Amor !

Sobre Redação MBQ NEWS - CB

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