quinta-feira , 4 de junho de 2020
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Imagens aéreas de Salvador - Roteiro da FIFA
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Fotos: Robson Mnendes / AGECOM
Imagens aéreas de Salvador - Roteiro da FIFA Na Foto: Fotos: Robson Mnendes / AGECOM

Salvador: Cidade da Música?

No ano de 2013, quando foi anunciado o início da reforma da Concha Acústica do Teatro Castro Alves, os produtores locais ficaram apreensivos. Se por um lado a modernização de um espaço como a Concha era uma notícia bem vinda, por outro a perspectiva de um fechamento prolongado era preocupante.

Este fato, aliado às decisões judiciais que limitaram a realização de grandes shows na Arena Fonte Nova, pensada desde sua concepção como uma arena multiuso, escancarou uma deficiência de nossa Capital: a ausência de espaços adequados para shows de grande e médio porte.

As últimas turnês brasileiras do A-ha, do Iron Maiden e de Paul McCartney deixaram evidente a exclusão de Salvador, terceira cidade mais populosa do país, do circuito de grandes shows no país. Esses artistas tocaram em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Curitiba, Recife, Fortaleza e Vitória, sempre com grande sucesso de público, mesmo num contexto atual de crise.

Essas capitais, a maioria delas com população menor que a de Salvador, possuem espaços estruturados e concebidos exclusivamente para a música, além de estarem aptas a receber grandes shows em seus estádios de futebol.

Os poucos shows internacionais realizados atualmente em Salvador concentram-se no Parque de Exposições, local em péssimas condições de conservação e com estrutura inadequada, destoando dos locais disponíveis em outras capitais. O Wet’n’Wild, antigo parque aquático adaptado, recebe alguns shows de grandes artistas nacionais, mas também não dispõe de uma estrutura adequada.

A recente reabertura da Concha Acústica, com capacidade para 5 mil pessoas, supre uma lacuna para shows de médio porte. A requalificação, apesar de mais demorada do que inicialmente prevista, trouxe um equipamento renovado e condizente com as exigências mais modernas para a realização de espetáculos de alto nível. A carência de outros espaços reflete-se na demanda por pauta na Concha: antes mesmo da reinauguração, já havia mais de 40 pedidos de grandes artistas enviados à direção do TCA.

A própria indústria da Axé Music, tão importante na geração de empregos e na propagação da cultura baiana, limitou indiretamente a entrada e o surgimento de artistas de outras vertentes no cenário da cidade, sem um investimento consistente em espaços adequados para shows. Tentativas pontuais existem, como o “Museu du Ritmo”, idealizado por Carlinhos Brown, e rumores sobre o interesse de Ivete Sangalo em construir uma casa de shows no Iguatemi, o que, aparentemente, não saiu do campo das ideias.

Assim, após Salvador ter sido a primeira cidade brasileira a receber o título de “Cidade da Música” pela UNESCO em dezembro de 2015, há esperança de que a comprovada efervescência de sua produção musical reflita-se na existência de espaços adequados que primem pela qualidade dos equipamentos de sonorização e iluminação, pelas questões relacionadas ao conforto do público (instalações, localização, estacionamento, facilidade na aquisição de ingressos, etc) e pela preocupação com outros aspectos essenciais, tais como a acústica, a proteção contra as intempéries climáticas e a estrutura para montagem e desmontagem do palco.

Desta forma, atraindo grandes espetáculos nacionais e internacionais, o soteropolitano terá a oportunidade de apreciar in loco as inovações que estão acontecendo mundialmente, permitindo a formação de um público mais exigente, que podem levar os artistas baianos a sair da zona de conforto, levando-os ao aperfeiçoamento dos espetáculos desenvolvidos em âmbito local.

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