sexta-feira , 5 de junho de 2020
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VAMOS FALAR DE NORMOSE…

Normose é um conceito de filosofia para se referir a normas, crenças e valores sociais que causam angústia e podem ser fatais.

Em outras palavras a normose se refere aos “comportamentos normais de uma sociedade que causam sofrimento e morte”.

Acompanhei recentemente uma palestra do doutor Roberto Crema. Antropólogo e psicólogo do colégio internacional de terapeutas, reitor da Unipaz – Universidade Internacional da Paz. Ele falava de como a sociedade tem padecido dessa normose.

O Brasil vive uma pandemia de normose doutor Roberto Crema.

Os nossos políticos vivem a era da normose. Tudo é normal para eles que não conseguem enxergar o mal que fazem a humanidade. O sofrimento que causam às famílias brasileiras.

A morte anunciada de uma nação que vive a desordem. O progresso à beira do suicídio? Acode a Bandeira Nacional.

O Rio de Janeiro vive um inferno. Em meio à profunda crise financeira do estado, que paralisou serviços públicos, a Polícia Federal apontou, em relatório enviado à Justiça, indícios de que o governador Pezão recebeu propina do esquema de corrupção comandado pelo ex-governador Sérgio Cabral. O nome de Pezão apareceu em anotações de Luiz Carlos Bezerra, preso na Operação Calicute e apontado como operador da quadrilha. O governador disse estar à disposição da Justiça.No Centro do Rio, manifestantes mascarados usaram pedras, barras de ferro e baterias de rojões para enfrentar PMs em protesto contra a venda da Cedae – Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro.

Em Vitória do Espírito Santo em 6 dias foram contabilizadas mais de 113 mortes por conta do aquartelamento da Polícia Militar, superou a média mensal registrada no primeiro semestre de 2015. Sob pressão, com o comércio fechado e desabastecimento, o governo do Estado iniciou negociações com as mulheres dos PMs. Elas cobraram reajuste de 43% e anistia total para os grevistas.

Será que isso tudo é normal, por que o Brasil vai entrar em festa com uma alegria esfuziante nas ruas. O carnaval é o ópio do povo, alivia as dores e o sofrimento mas o efeito da droga é causar dependência ou morte.

Tudo no país é normose. O ministro Marco Aurélio, do Supremo, viu nepotismo e suspendeu a nomeação de Marcelo Hodge Crivella, filho do prefeito, como secretário da Casa Civil. Para Crivella, a escolha do filho é normal: “Ninguém conhece melhor meu filho do que eu. Quem nomeia sou eu.” Que poder ou “empoderamento” do cargo que ocupa. Pobre criatura não consegue enxergar o mal que faz ao próprio filho.

Tudo é normose nos três poderes. O Legislativo é o campeão. A Comissão mais importante do Senado, a CCJ terá dez senadores investigados pela Lava-Jato, entre eles Renan, Collor e Jucá, além de Edison Lobão, indicado pelo PMDB para a presidência. Ora isso é normal no Congresso Nacional. A linhagem une também políticos da mesma classe ou afinidade.

Por aqui a normose já transformou o nepotismo também em algo normal, aceitável e até mesmo deplorável. Imagine a sobrinha de Otto Alencar ganhou um cargo na AL-BA e o senador criticou o ‘patrulhamento’ na indicação. Ele disse: “Não sei porque esse patrulhamento todo”. O senador, alheio à uma possível acusação de nepotismo cruzado, ainda admitiu que ele mesmo pediu a Coronel, afilhado político, que nomeasse Fernanda para o cargo. Coronel também fez pouco caso sobre a nomeação de Fernanda e disse que o cargo sempre foi político.

Verdade! No Brasil isso já se tornou tão normal. Os cargos de indicação servem para isso. Trocamos cargos e indicação, perdemos os valores e alma apodrece aos olhos do Altíssimo e soberano “Poder do Ter”. Senhor tende piedade de nós!

Sobre Móises Bisesti

Móises Bisesti
Apresentador do programa de rádio “Força do Povo”, MOISÉS BISESTI dirigi a equipe de jornalismo da Rádio Cruzeiro, que tem audiência em 75% dos municípios da Bahia. Formado em Economia pela UCSAL, em Direito pela Faculdade do Nordeste e em Rádio e Televisão pela Gama Filho, atua há vinte e cinco anos na área de comunicação social sempre em contato direto com o público e autoridades políticas, médicas e jurídicas. Iniciou sua carreira como repórter da TV Itapoan/ Rede Record, no Telesportes e Lance livre na área de esportes, além do Balanço Geral programa jornalístico. Na TV Band apresentou o Jogo Aberto, também na linha de jornalismo popular, trabalhando como âncora da Band News FM. Defende a liberdade das ideias, a informação da notícia centrada no fato, na busca da verdade mantendo a objetividade e independência com foco na prestação do serviço público. Com uma linguagem moderna, leve e desenvolta conquista pela clareza e objetividade nas informações sem perder de vista a ética e responsabilidade do comunicador.